Quem não sabe sobre o Holocausto? Pois é? Guardadas as devidas proporções, Ruanda também teve uma espécie de holocausto mas, como menos corpos queimados e mais fatiados.

Durante 100 dias de 1994, os hutus foram os autores de um genocídio (Por vezes designado por limpeza étnica, embora esta última designação tenha vindo a ser preterida devido à conotação positiva da palavra “limpeza”. Tem sido definido como sendo o assassinato deliberado de pessoas motivado por diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas e (por vezes) políticas) contra os tutsis e os hutus moderados.

Hoje, eu assisti ao filme Hotel Ruanda e, sinceramente, poucas vezes na vida eu chorei tanto. Não que minhas lágrimas façam alguma diferença para o mundo mas, para mim, fizeram. Depois de ver esse filme, eu pude ver mais claramente a crueldade que há no mundo e a bondade que há nele. Enquanto uns matam e destroem por dinheiro, outros estão dispostos a morrer simplesmente para salvar a vida de um desconhecido.
Um dos diálogos do filme me chamou atenção:
A cena é um diálogo entre Jack Daglish (Joaquin Phoenix) e Paul Rusesabagina (Don Cheadle) que acontece após Jack (um repórter) gravar umas imagens de vários tutsis sendo espancados e mortos à facadas.
Paul: Fico contente que tenha gravado e que o mundo veja. Só assim haverá uma possibilidade de alguém intervir.
Jack: Mas, caso ninguém intervenha, continua sendo bom mostrar?
Paul: Como podem não intervir ao verem tais atrocidades?
Jack: Creio que as pessoas que virem essa gravação dirão “Oh, meu Deus, que horror” e continuarão seu jantar.

“KIGALI, Ruanda (Reuters) – Sem a presença de líderes ocidentais, os ruandeses lembraram na quarta-feira (7 de abril de 2004) os dez anos do genocídio no país, furiosos e estarrecidos como sempre com o fato de o mundo não ter impedido um dos piores crimes do século 20.
Mulheres em roupas tradicionais mostravam fotos de seus entes queridos, alguns dentre os 800 mil tutsis e hutus moderados mortos em meio à indiferença das potências ocidentais, preocupadas com outras crises e receosas de arriscar a vida de seus soldados.

Acadêmicos concluíram que os assassinos –a maioria civis armados com facões, enxadas, tacos de madeira– fizeram o trabalho cinco vezes mais rápido que as câmaras de gás usadas pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.
Algumas potências ocidentais são “criminalmente responsáveis” pelo genocídio de 1994 em Ruanda porque não fizeram o suficiente para impedi-lo, disse na terça-feira o comandante da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no país africano à época.
“A comunidade internacional não deu a mínima para os ruandeses porque Ruanda é um país sem importância estratégica”, afirmou o general canadense Romeo Dallaire, em uma conferência realizada na capital Kigali para lembrar os dez anos dos massacres.

O genocídio em Ruanda começou na noite de 6 de abril de 1994, depois que o avião no qual viajavam os presidentes de Ruanda e de Burundi foi derrubado.”

Paul Rusesabagina. Paul era da etnia hutu enquanto sua mulher era da etnia tutsi. Durante os combates ele abriga sua família no hotel Les Mille Collines em Kigali, de propridade do grupo belga Sabena, onde era gerente. Com a saída dos hóspedes do hotel, Paul o abre aos refugiados, salvando assim mais de 800 pessoas. Recebeu os prêmios: Immortal Chaplains Prize for Humanity (2000), Wallenberg Medal da Universidade de Michigan (2005), National Civil Rights Museum Freedom Award (2005) e Presidential Medal of Freedom (2005).
Romeo Dallaire. Quase isolado entre os representantes da comunidade internacional à época, Dallaire (representado por Nick Nolte no filme Hotel Ruanda) é hoje popular no país devastado porque trabalhou incansavelmente, mas em vão, para evitar os massacres. O militar da reserva ficou profundamente traumatizado com o fracasso de sua missão, que não conseguiu impedir que cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados fossem assassinados por hutus extremistas. Muitas das vítimas morreram a golpes de facão e de tacos com pregos nas pontas. Os ruandeses expressaram sua admiração por Dallaire, que ficou muito abalado com a experiência. O militar da reserva foi encontrado bêbado uma vez no banco de uma praça de Ottawa depois de ter tentado cometer suicídio. Apesar de ser visto como um herói que tentou, repetidas vezes mas em vão, alertar o mundo sobre a matança em Ruanda, Dallaire não aceita que digam que ele teve um papel heróico na tragédia. “Não há nenhum conforto em dizer que fiz o melhor que pude. Isso não vai apagar o sofrimento de um milhão de pessoas. Dizer isso seria um insulto”, afirmou Dallaire à revista semanal do New York Times.

Numa cena do filme, a filha do Paul R. não consegue dormir e fica mechendo no terço da mãe. É numa cena dessas que a gente entende porque tanta gente joga tudo nas mãos de Deus. Por que chega uma hora que eles não têm em que se apoiar. É olhar pra os lados e ver que nada aqui nesse mundo os vai ajudar.
Nunca saí da América mas, pelo que eu li, Ruanda vem recuperando sua economia que foi devastada e o que sobrou de sua auto-estima depois de tanta destruição.
(Sem querer me prolongar no assunto da religião, só queria deixar claro que eu não sigo religião alguma apesar de ter sido batizada católica. Sou considerada cristã mas, no auge da adolescência, eu ainda questiono tudo e todos).
Doce ilusão a de que o Twitter nos mostra o mundo inteiro.
Sinopse: Hotel Ruanda – Depois desse filme, eu duvido que eu erre qualquer questão sobre Ruanda que caia no vestibular.
Fontes:
http://www.adventistas.com/abril2004/clipping_ruanda.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Genocídio

